segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Vereadores podem transformar a

Lapa no Mais novo bairro da cidade

Esta nas mãos dos vereadores a decisão de transformar ou não a Lapa no mais novo bairro da cidade. O projeto de Lei 951/2011, datado de 26 de abril de 2011 que propõe essa transformação pertence aos vereadores Dr. Jairinho em co-autoria com seu colega Marcelo Arar que trocou o PSDB pelo PT.

O que representa a Lapa se transformar num bairro? - Que benefícios isso traria? Para responder essas perguntas que, seguramente, vão começar a atormentar os moradores, comerciantes, empresários, artistas, produtores culturais e mesmo outros segmentos da sociedade, O Jornal Capital Cultural conversou com os dois vereadores. Para saber o que pretendem com a idéia.

Atenciosos os dois falaram exatamente o que pretendem
com o Projeto. Em comum, o fato de acharem que a Lapa por suas características, culturais, turísticas e residenciais merece um tratamento próprio e diferenciado. Acham que a área merece mais carinho pela importância que adquiriu e pelo que passou a representar para a cidade.


Transformar a Lapa em um bairro significa possibilitar uma melhor qualidade de vida aos que moram na Lapa e vivem a Lapa.

Dr. Jairinho autor do Projeto que propõe transformar a Lapa em um bairro


A Lapa por ser uma área do Rio reconhecida internacionalmente merece um pouco mais de atenção, de manutenção e por isso merece ser transformada em um bairro.

Marcelo Arar - có-autor do Projeto




Capital Cultural – Vereador, o que o Sr. Deseja e o que representa exatamen

te transformar a Lapa num bairro?

Dr. Jairinho - Temos ciência e consciência de que a Lapa com o decorrer dos anos se transformou num centro de referência da cidade. É a volta do carioca às ruas, às calçadas, o que é uma coisa tipicamente carioca. Não vamos nem falar de boemia, pois a grande maioria das pessoas que frequentam a Lapa são aquelas pessoas que saem para curtir um happy hour e vão para a Lapa curtir aquele espaço. Transformar a Lapa em um bairro significa possibilitar uma melhor qualidade de vida aos que moram e vivem a Lapa.

Marcelo Arar - Na realidade, em minha opinião a Lapa por ser uma área do Rio reconhecida internacionalmente merece um pouco mais de atenção, de manutenção e por isso merece ser transformada em um bairro. Parte da história do Rio de Janeiro e do Brasil se passou na Lapa, temos ali um dos principais monumentos arquitetônicos não só para o país, mas reconhecido internacionalmente construído em 1792, e acho que a Lapa está um pouco abandonada em relação à segurança e organização, levando-se em conta que é um ponto turístico. Vemos a ação de pivetes cometendo delito, há para quem chega uma imagem que não é das melhores e este abandono nos Arcos acabou proporcionando uma tragédia, uma vez que há alguns meses um turista francês caiu do bondinho e acabou perdendo a vida. Tivemos também o trágico acidente com o bondinho de Santa Teresa e aí temos que discutir esta questão, pois os Arcos representam uma extensão da Lapa e Santa Teresa é quase que uma continuidade da Lapa e vice versa. O que penso é que a Lapa merece e precisa de uma administração regional localizada que cuide de toda aquela área e por isso, acho que a Lapa precisa se transformar um bairro. Acredito que a proposta é muito interessante principalmente para os moradores, pois se analisarmos bem, a Lapa é uma grande grife e esta transformação acabará organizando o imóvel do morador e toda a área. Hoje este morador tem em seu endereço a denominação do bairro como: Centro e este todo mundo liga a um lugar comercial e não a um lugar tão específico turisticamente e culturalmente como a Lapa. Esta precisa ser um bairro, pois é um dos principias endereços da cidade. O objetivo é valorizar o patrimônio em todos os sentidos.


Capital Cultural – Mas apesar desta valorização que vem se dando ao turismo, a Lapa é antes de tudo residencial e cultural. Como equacionar esta relação da invasão de pessoas com os moradores

Dr Jairinho - Acredito que os moradores sempre tiveram o desejo de receber suas correspondência e ter o orgulho de dizerem que moram efetivamente na Lapa. Porque observe o seguinte toda cidade e todas as pessoas que visitam a cidade imaginam que a Lapa seja um bairro e a Lapa não é um bairro. A Lapa é um local meio sem identidade, as pessoas não sabem se moram em Santa Teresa, no bairro de Fátima, na Praça Tiradentes, ou na Cinelândia ela é um prosseguimento, um prolongamento de todas essas áreas. Acho que criar o bairro da Lapa é um ganho cultural muito grande para o Município e um avanço significativo para identidade cultural daquela área e, consequentemente para os moradores.

Marcelo Arar – Os problemas existem e o que precisamos é buscarmos soluções para estes problemas e tentar resolvê-los. Penso que é perfeitamente viável criarmos mecanismos para termos num mesmo espaço esta explosão turística, aliada à força da cultura e ao desejo dos moradores. Não podemos complicar o objetivo é facilitar e tentarmos criar uma Lapa que seja melhor para todos.


Capital Cultural – De que forma todas as partes e segmentos que vivem a Lapa se beneficiariam com a criação de um bairro?

Dr. Jairinho – Acredito que com aquela área se transformando em um bairro, os problemas existentes se tornam de mais fácil resolução. Os moradores por conta de ser um bairro cultural podem ganhar benefícios em isenções de impostos e alguns benefícios fiscais. A criação de bairro possibilita uma identidade daquela área, o que hoje não acontece. Queremos que a Lapa tenha uma região administrativa e que os moradores possam fazer respeitar suas reivindicações. O bairro passaria a ser tratado pelo Poder Executivo de forma particular. Vou dar um exemplo: se você quiser fazer um plano de estruturação urbana de Santa Teresa, o bairro tem uma delimitação. Com um Plano de Estruturação Urbana você tem estruturas viárias, estrutura em gabaritos, em tombamentos. Se observar a Lapa, aquela área tem toda uma característica que é completamente diferente dos locais que estão em seu entorno, e se você quiser tratar o bairro da Lapa de uma forma mais particular, você não teria como fazer isso, pois ela faz parte do Grande Centro.

Marcelo Arar – A principal vantagem é que sendo transformada num bairro a Lapa passará a ter identidade própria. Isso possibilitaria que os problemas fossem discutidos de forma particular e tivesse uma maior atenção do poder público e dos meio de comunicação. A grande e principal vantagem seria a visibilidade.



Capital Cultural – O que temos hoje na Lapa são moradores, que embora apoiando muitas das medidas do prefeito Eduardo Paes, são contrários a outras iniciativas. Queixam-se, por exemplo, de alguns proprietários de bares que de forma abusiva colocam mesas e cadeiras nas calçadas, algumas casas com música ao vivo não fazem tratamento de som, e o fechamento das ruas Mem de Sá e Riachuelo às sextas e sábados até as cinco da manhã, que criou um quadro de desordem, barulho excessivo, consumo de drogas, prostituição e constantes assaltos - Na percepção de vocês, como equacionar estas questões?

Dr. Jairinho – Esta questão não pode ser objeto de discussão, quem tem que ser ouvido, quem precisa ser ouvido são as pessoas que moram na Lapa. A criação de um bairro facilita tudo isso, pois faz com que as diversas secretarias tenham outro olhar e outra postura. Se você cria um bairro isso possibilita regulamentar a postura e a ambiência. O tratamento que este bairro deve ter são os moradores que decidem. Tenho um projeto que trata exatamente disso que é a regulamentação de cadeiras e mesas nas calçadas. É preciso criar regras para esta relação. Penso que tudo isso se conversado, pode ser resolvido sem maiores traumas. Concordo com os moradores no sentido de que as madrugadas não podem e nem devem ser invadidas, que o som perturbe o sono e não os deixe dormir, mas penso que os comerciantes vivem da presença do público. Vivem de um público que vai à Lapa exatamente num horário que incomoda os moradores. É preciso encontrar um meio termo, um meio do caminho. É preciso diálogo. Os donos de estabelecimentos precisam faturar, mas precisam também investir. Por que não criar isolamento de som?

Marcelo Arar – Outra razão pela qual a Lapa precisa se transformar num bairro é exatamente em decorrência das queixas dos moradores e desta zona conflituosa que se criou. Se um bairro, o Poder Público poderá atuar de forma mais intensa. A partir do momento que é um bairro será obrigatório a instalação de uma administração regional. Sei que existem lugares na Lapa que acontecem eventos ao ar livre perturbando a ordem e a paz de todos, o que acho um absurdo para com o morador. Por outro lado temos que levar em conta que é um dos principais pontos turísticos da cidade e em razão disso, tem que haver um equilíbrio. Não se pode fazer uma roda de samba embaixo de um prédio. Um bar que não tem tratamento de som não pode ficar tocando pagode ou musica funk até às 5 horas da manhã. Quando pensamos este projeto pensamos as virtudes e os problemas da Lapa e, estamos abertos a discutirmos todas estas questões. Nosso objetivo é representarmos os moradores e estarmos ao lado dos moradores. Não podemos nos esquecer ou de alguma forma prejudicarmos espaços nobres que colaboraram para a reinvenção desta Lapa que surgiu nos últimos anos. Quando pensamos a Lapa, não podemos deixar de falar no Circo Voador, Fundição Progresso, Carioca da Gema e o Rio Scenarium. Essas e outras casas transformaram a Lapa num pólo turístico e cultural muito importante. O objetivo de um parlamentar é sempre somar na vida da população, mas se percebermos que não estamos somando, podemos mudar o rumo da história.



Capital Cultural – Qual sua relação com a Lapa?

Dr. Jairinho – Confesso que sou um admirador da Lapa de toda sua potencialidade e possibilidades, mas frequento pouco o bairro. Apesar disso, enquanto parlamentar e enquanto cidadão carioca, tenho a consciência que a Lapa é um dos pontos mais importantes de referência cultural e turística para a cidade. Não podemos negar a importância da Lapa e, consequentemente, os problemas que enfrenta e em razão disso, temos que olhar para toda aquela área de maneira muito carinhosa e particular.

Marcelo Arar – Minha relação com a Lapa é parecida com a maioria dos cariocas que tem paixão pela cidade e por seus principais patrimônios. Amamos Copacabana, o Cristo, o Maracanã, a Lagoa e consequentemente a Lapa. Um carioca que não tem amor e que não curte a Lapa não é um carioca de verdade, da Gema. Minha relação com a Lapa vem do final da década de 90, quando eu e Adriana Milagres, uma conceituada produtora começamos a fazer eventos na Fundição Progresso. Minha relação com a Lapa vem destes primeiros eventos com a Festa Soul, com o inicio do Movimento Hip Hop, com os bailes Charmes. Sou um dos fundadores da Boate Six, na Rua das Marrecas e tenho uma ligação muito grande com a Lapa e outros pontos de entretimento, mas a Lapa merece mais que isso por ser muito mais que um ponto de entretenimento.

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domingo, 16 de outubro de 2011

Luta e luto pelo Bonde


Artes: Bondinho: Dj Zod; Cruz: Ana Duraes.
Foto: Passeata em Santa Teresa





“O que aconteceu não fo i pela vontade de Deus e sim,
pel
a incompetência dos homens.
Tem
os que fazer desta desgraça um ato de graça,
nos unirmos para mudar esta re
alidade”.

Reverendo da Igreja Anglicana



“Santa Teresa Qual sua missão?

"O bonde de volta e lio Lopes na prisão”

Coro de moradores durante as várias manifestações a favor do bonde


“Devolver o Sistema de Bondes à sociedade é uma questão de honra. Durante quatro anos tratamos aquele patrimônio da mesma maneira desleixada e tão desrespeitosa que os governos anteriores”

Sérgio Cabral em declaração à imprensa


“Até concordo que o Governador solicite um acompanhamento de uma empresa para prestar supervisão sobre os bondes. O que não pode são eles virem para cá e tomarem o lugar de nossos profissionais que não são mal profissionais, mas na verdade muito mal remunerados e trabalhavam sem condições e sem peças de reposição"


Marcelo Simão -Presidente da Comissão de Transporte da Assembléia Legislativa


“Político só escuta o clamor da sociedade, a pr
essão da imprensa e, por isso, vocês devem sempre se manifestar e pressionar"


Marcelo Simão



“Concordo em parte com o senhor, nobre deputado. Político só escuta o clamor da sociedade, a pressão da Imprensa e, acrescentaria o poder da grana”.


Um morador respondendo a Marcelo Simões



Fotos: Ato ecumênico realizado em Santa Teresa



“Parece inconcebível querer nos fazer acreditar que não conseguimos construir hoje o que a indústria produzia há 115 anos. Dizer que não temos condições de fazer as peças de reposição do bonde chega a ser um absurdo”.


Joaquim Rezende - Proprietário da Empresa de BH, durante o Fórum em Santa Teresa



“Passei pouco tempo na oficina e conversei com os operários. Não é difícil perceber que qualquer operário de lá entende do funcionamento e da estrutura do bonde, muito mais que qualquer engenheiro. Abrir mão desses profissionais é

outro absurdo”.



Joaquim Rezende



“Se o acidente aconteceu por falta de manutenção, a culpa é do governador por falta de zelo e cuidado com um bem público que presta serviços à sociedade. Se o acidente aconteceu por excesso de lotação, a culpa é do governador por falta de cuidado e supervisão”


Um morador durante o Fórum em Santa Teresa



Fotos: Maniefestação Panelaço realizado em Santa Teresa


“Esse Júlio Lopes tem que ser punido e preso porque ele sabia que éramos cobaias de um sistema de bondes totalmente sucateado e de seus bondes adaptados. Hoje não somos apenas cobaias, somos cobaias mortas”.

Uma moradora durante o Fórum em Santa Teresa



“Será que é preciso os moradores repetir o que aconteceu em Londres ou no s Estados Unidos, descerem as ladeiras e colocarem fogo na Câmara dos Vereadores e na Assembléia Legislativas para esses políticos calhordas perceberem o problema que a comunid ade vive aqui em Santa Teresa. Depois vão nos chamar de que? - De vândalos, ou vão dizer que somos ligados a Al Qaeda?

Um morador durante o Fórum em Santa Teresa

Foto: Passeata na chuva realizado em Santa Teresa


“Eu tinha a certeza que o Sr. Júlio Lopes não viria a esta audiência pública. E não veio porque é um covarde. Não tem coragem nem moral para enfrentar um debate público. Não podemos aceitar que um cretino desses seja secretário. Júlio Lopes não tem decência para estar na vida pública. Tem que ir para casa cuidar de seus negócios, ficar à frente de suas escolas, que ao que parece é isso que sabe fazer”?



Marcelo Freixo - Na audiência Pública realizada na Alerj no início de setembro



“Freixo, queria te dizer o seguinte: o Júlio Lopes não é apenas covarde. É covarde, assassino e ladrão. Não veio porque sabia que nesta audiência pública havia a presença de um delegado de polícia”.



Paulo Messina - Vereador

Na audiência Pública realizada na Alerj no início de setembro




Foto: Passeata na chuva realizado em Santa Teresa


“O Júlio Lopes abandonou os bondinhos porque queria privatizar. Ele tem que ser denunciado por homicídio doloso. Não pode dizer que não sabia dos problemas dos bondes. Se a Associação vem denunciando os descasos há mais de cinco anos como ele pode querer dar uma de dissimulado e dizer que não sabia”.

André Barros – Morador e advogado

Na audiência Pública realizada na Alerj no início de setembro



“Júlio Lopes não tinha que ser secretario porque é um incompetente e não poderia estar solto porque é um ladrão. Ele tinha de estar em Bangu 8”


De um moradora - Na audiência Pública realizada na Alerj no início de setembro



“ Aproveito a presença da deputada Jandira Feghali que faz parte da base do governo Sérgio Cabral, e por conseqüência é de seu convívio, para pedir a ela que interceda junto ao governador e peça para que ele tome uma providencia em relação ao Bonde. Estamos cansados Sra. deputada, de vocês deputados apoiarem todos os desmandos deste canalha”.



De um morador se dirigindo à deputada Jandira Feghali em uma das manifestações

do bonde em Santa Teresa, criando certo constrangimento para a deputada.



Foto: Ato ecumênico realizado em Santa Teresa



“A coragem é uma virtude. A covardia algo abominável. Covarde não é apenas o Júlio Lopes, mas o governo do Estado. Não temos que ouvir o Júlio Lopes e sim o governador o Sr. Sérgio Cabral. Ele tem que ter que responsabilidade e dar uma satisfação para a sociedade. Temos que cobrar responsabilidades. Temos que nosunirmos a esta causa independente de partidos.”.


Jandira Feghal - Na audiência Pública realizada na Alerj



“Temos que aproveitar esta situação que temos aqui vereadores, deputados estaduais e federais e criar uma comissão tripartidária. Temos que discutir tudo isso tanto no município, quanto a nível estadual e municipal.


Jandira Feghalli

Na audiência Pública realizada na Alerj no início de setembro



“Nem nos tempos da ditadura tínhamos um governo tão autoritário

e tão surdo ao clamor da sociedade. Quem o Sérgio Cabral esta pensando que é”?


De uma moradora Durante a audiência Pública realizada na Alerj no início de setembro




“Não quero ser julgada pelo que outras pessoas fizeram. Não posso ser julgada pelos atos de qualquer governador anterior. Estou em meu primeiro mandato como deputada e não quero ser julgada por atos de ninguém”.


Clarissa Garotinho que foi vaiada enquanto falava.

Na audiência Pública realizada na Alerj no início de setembro



Foto: Ato ecumênico realizado em Santa Teresa



“Depois de todas as manifestações e de tudo que ouvimos aqui, Júlio Lopes não tem condições morais de permanecer no cargo. Mas temos que ficar atentos ao seguinte: Não adianta trocar o secretario e não mudar essa política.




Por outro lado, não temos nada a falar com o Sr. Júlio Lopes, para dizer a verdade, não tenho a mínima disposição e muito menos estômago de conversar com este senhor”

Chico Alencar –deputado Federal Na audiência realizada na Alerj



“Secretário debochado –tem que ser exonerado”.


Coro de moradores durante as várias manifestações a favor do bonde



“Temos que nos mobilizar, entrar na justiça e pedirmos o impeachment político de Júlio Lopes. Se apenas for exonerado, por ser deputado Federal , volta para Brasília, e nada acontecer”.


Sonia Rabelo - Vereadora

Na audiência Pública realizada na Alerj no início de setembro


Foto: Passeata pelas ruas do Centro da cidade


“Sinceramente, o secretário tem que lavar a boca com água sanitária antes de falar do mortoneiro Nelson. Esse senhor morreu tentando salvar a vida das pessoas. Ele podia ter pulado e não pulou. Ele estava trabalhando lá - coisa que o Secretário não sabe o que é fazer, porque nunca trabalhou".


Alessandro Molon - Deputado Federal



“Uma semana onde fiquei duplamente triste. Primeiro com a absolvição da deputada Jackeline Roris. Aquela votação mostrou que falta seri edade à casa. É u m l ugar que preci samos estar vestidos à caráter, para tomarmos decisões onde as pessoas demon stram total falta de caráter. A segunda tristeza e essa bem maior, foi com este trágico acidente do bondinho. O que acontec eu aqui em Santa Teresa não foi o bra do acaso. Foi obra do descaso.


Chico Alencar - De putado Federal em ato realizado em Santa Teresa



Fotos: Marcha da Corrupção em Copacabana



Júlio Lopes além de bandido é va gabundo. Temos que exigir a imediata exoneração deste secretário. Temosque repudiar o fato do Sr. Júlio Lopes ter culpado o motorneiro Nelson Correa, morto no acidente. A coragem do Nelson

é proporcional à covardia do secretário


Alessandro Molon



“Lamento profundamente este acidente que

representa uma tragédia para o turismo da cidade.”


Júlio Lopes - Secretario de Transporte –No dia em que ocorreu o acidente



Foto: Ato ecumênico realizado em Santa Teresa


“Jamais foi liberado um bonde para serviço sem que sua manutenção estivesse rigorosamente feita. O bonde o qual ocorreu o acidente esteve praticamente todos os dias de agosto passando por constantes revisões, foram trocados o sistema derodas e as quatro sapatas de freio”.


Júlio Lopes



" Que ele (o bonde) não é um transportede massa, não é .

Que há um descontrole na entrada (de passageiros), há.

Havia um excesso de passageiros absurdo na hora da tragédia”.



Sergio Cabral – em sua primeira declaração sobre o bonde



“Queremos sim a saída do Júlio Lopes, mas que ela não represente um desvio de foco de nossos verdadeiros problemas. Sabemos que simplesmente trocar o Secretario é o mesmo que trocar o sofá de lugar”.



Elzbieta Mitkiewicz -Presidente da Amast


Foto: Ato ecumênico realizado em Santa Teresa



“A Imprensa é nossa arma. É nosso treizotão”.


Elzbieta Mitkiewicz





Chegou-se a um ponto tão deseperador, que o

bonde esta morrendo... Morrendo e matando”.


Elzbieta Mitkiewicz



"O Nelson poderia ter pulado do bonde, se livrado,

e deixado todo mundo se arrebentar.

Não, ao contrário, teve uma atitude honesta e coerente.

O Júlio Lopes, além de cínico e mentiroso é dissimulado"


Paulo Messina - Vereador



Descarrilhou

Virgílio de Souza - Jornal Capital Cultural

Silêncio nos trilhos,

silêncio na voz.

Gestos contidos,

almas consternadas.

Expressões perplexas...

Faces lacrimejadamente pálidas

tentam entender o problema.

O discurso vazio

de um político vadio

tenta justificar o dilema.

Silêncio nas ladeiras, soleiras e portais.

Cumpriu-se o enunciado,

se fez real o anunciado

nada se fez contra o denunciado.

Dos umbrais do poder

eles observam as vidas jogadas na curva

e, ainda sim, a água não se turva.

O mistério é publico.

O Ministério é Publico.

Triste ironia publicada.

No jornalão do Poder

mortes são apenas notícias

a exemplo de um

Festival de Gastronomia

Silêncio nos trilhos,

nas ladeiras, soleiras e portais...

Cumpriu-se o denunciado,

o anunciado, o enunciado

Faces pálidas...

Olhos que lacrimejam

Almas consternadas...

Fim de estribilho.

Dos umbrais do poder

eles observam as vidas jogadas na curva.

Já não há mistério:

o Ministério é Publico,

achou denuncismo. Não publicou.

Mas ainda assim, as águas não se turvam

E os jornalão publica mortes

Como uma festa de gastronomia.

ou um confete deixado na curva

por um folião qualquer

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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Apaixonado pelos bondes

Entrevista

Luis Carlos Cosenza

Um homem apaixonado
por Santa Teresa,
e amante
dos Bondes


Um homem apaixonado, preocupado e ao mesmo tempo amargurado com a realidade do Sistema de Bondes de Santa Teresa. Assim pode se definir o Engenheiro Luiz Antonio Cosenza uma pessoa que por questões sentimentais é extremamente envolvida com o sistema de bondes e, por questões profissionais, é um dos que mais entende do assunto.

No final da década de 90, Cosenza ocupava o cargo de diretor técnico da CBTU – Companhia Brasileira de Trens Urbanos – que era responsável pelos bondes e, em 2002, assumiu a presidência da Central Logística empresa que passou a administrar o sistema de bonde. Neste período, eram recorrentes os comentários de que o principal e mais simpático meio de transporte da cidade seria privatizado ou municipalizado.

Os bondes naquela época pertenciam à CBTU e nossa opção foi a de comprar o sistema de bondes para que ele pudesse ser preservado. Não gostávamos da idéia da privatização e, segundo comentários, caso o sistema fosse municipalizado o prefeito César Maia iria demitir os funcionários.

Foi o zelo, o reconhecimento da importância histórica e cultural que os bondes representam para a cidade e, principalmente, a amizade que passou a ter com os funcionários que fez Cosenza se aproximar e a se preocupar cada vez mais com a realidade dos bondes. Ele passou a entender rigorosamente de tudo em relação ao sistema bondes: as condições precárias da garagem, o ultrapassado sistema de fiação da rede elétrica, as irregularidades no sistema de trilhos, da realidade dos funcionários e do descaso do poder público que insistia em adiar a busca por uma solução. Uma aproximação tão grande com os bondes, fez com que ficasse também muito próximo à realidade e aos problemas de Santa Teresa.

O trágico acidente ocorrido no último dia 27 mais uma vez aproximou o engenheiro do Sistema de Bondes. Atualmente ocupando a vice-presidência do CREA – Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura – uma de suas atribuições é o trabalho que exerce na Comissão de Analises e Prevenção de Acidentes da Câmara de Engenharia Elétrica. Em conseqüência disto, é um dos responsáveis em apurar o que aconteceu exatamente no trágico acidente em Santa Teresa.

Aos 59 anos, Cosenza procura não emitir qualquer opinião definitiva ou buscar culpados para a tragédia. Mantém sua opinião de ser contrário ao sistema de privatização, diz que não medirá esforços para que os fatos sejam definitivamente apurados. Pede atenção das autoridades não só para com o bonde, mas também para com Santa Teresa, pois em seu entender, o bonde é uma extensão do bairro e sem os bondinhos Santa Teresa perderia praticamente todo seu charme, beleza e encantamento.

Capital Cultural – Irresponsabilidade, incompetência, descaso, fatalidade... O que aconteceu em Santa Teresa?
Cosenza - É claro que, sentimentalmente, existe dentro de mim e de cada um de nós que sabemos a importância dos bondinhos uma grande amargura. Profissionalmente falando, qualquer diagnóstico feito de forma emotiva seria irresponsável e leviana. Nosso objetivo é saber a real causa do acidente. Temos que ficar atentos para não colocarmos a culpa em quem não é culpado. Às vezes vai se adiando, vai se postergando o serviço de manutenção e quando acontece um acidente ou uma tragédia, partimos para apontar culpados. No Brasil não temos esta característica de não nos preocuparmos com a manutenção, mas depois que uma tragédia acontece, temos a mania de buscarmos culpados. Sempre colocamos a culpa nas costas do piloto, do mortoneiro, do motorista, ou de um eletricista. Atribuímos a eles, uma culpa que eles não têm.

Capital Cultural – Até aqui já foram criadas algumas versões, inclusive, uma que ao parece não é plausível que é a super-lotação. Isso faz sentido?
Cosenza - A superlotação pode ter contribuído para o acidente, mas não foi a causa. Trabalhamos exatamente para encontrar essa causa. Tudo leva a crer que houve uma falha no sistema de freio Me surpreendeu declarações que li nos jornais de que o bonde com o qual ocorreu o acidente diversas vezes foi para a manutenção por conta de sapata de freio. Isso é muito complicado, pois ou a sapata não era trocada por uma nova sapata ou a sapata era de péssima qualidade. Não se troca sapata um dia sim e um dia não. Se o bonde passou por tantas manutenções, temos que saber a origem desta sapata, sua procedência e sua qualidade. É preciso ficar claro se a sapata era ou não nova. Vimos no local do acidente que uma das sapatas estava desgastada. Isso, porém, não justifica o acidente, pois uma sapata desgastada não é o motivo para o que aconteceu se as outras sapatas estavam novas. Tudo leva a crer que houve uma falha no sistema de freagem. É isso que temos que apurar.

Capital Cultural – Faz sentido a argumentação dos moradores de que essa era uma tragédia anunciada?
Cosenza – O bairro tem características próprias. Temos um relatório daquele acidente de 2009, que vitimou aquela professora. Naquela ocasião e mesmo antes disso, já alertávamos para os problemas que os bondes vinham apresentando. Falamos que era preciso ordenar o bairro, acabar com tantos estacionamentos que tira o gabarito no trajeto de percurso do bonde. Falamos dos ônibus que andam em alta velocidade e sempre oferecem perigo. O transporte principal em Santa Teresa tem que ser o bonde. Essa questão de que era uma tragédia anunciada, de certa forma faz sentido, pois se algo é anunciado e você não cuida, não faz a manutenção necessária e não tem o zelo necessário, o que foi anunciado acaba acontecendo.

Capital Cultural – Neste primeiro de setembro os bondinhos completam 115 anos. O tempo de vida útil, o desgaste podem ser fatores que colaboram para o risco de acidentes?
Cosenza - Independente da idade do equipamento, qualquer que seja o equipamento, se ele tiver uma manutenção adequada, se as peças forem repostas, se houver cuidados, este equipamento estará seguro. Este argumento não justifica e nem procede. Não podemos sob nenhuma hipótese culpar a idade do bonde. A idade do bonde é um fator que nos obriga a termos mais cuidado. O bonde não é inseguro pela idade e sim pela falta de manutenção. Há uma coisa que muitas pessoas insistem em não entender: a discussão do bonde não pode se limitar apenas ao bonde. É preciso zelar mais pelo bairro, limitar a velocidade dos carros que por lá trafegam, olhar com mais atenção para os ônibus que deveriam andar em baixa velocidade, evitar que caminhões com carga pesada transitem. Não podemos pensar o bairro e o bonde apenas nos finais de semana para turistas. Isso seria um crime contra a população. O bonde é um veículo de passageiros e não apenas com finalidade turística. As pessoas pensam que o bonde é uma extensão do bairro e sem os bondinhos Santa Teresa perderia praticamente todo seu charme, beleza e encantamento.

Capital Cultural – A decisão do governador em colocar um interventor é razoável?
Cosenza – Fico pensando qual será exatamente a função deste interventor. Se veio para solucionar, para discutir com os moradores, com as entidades da engenharia e as entidades representativas, tudo bem, acho válido e sua presença poderá ser extremamente útil. Mas se veio para trazer fórmulas prontas não vejo grandes vantagens. . Ele tem que dizer a que veio.

Capital Cultural – Exonerar o Júlio Lopes como muitos querem, resolveria alguma coisa?
Cosenza - A discussão me parece vaga. Temos que questionar o seguinte: existiram investimentos suficientes para quem fossem encontradas soluções para os problemas que os bondes apresentam? Penso que essa é a questão. Saber quem vai estar lá, se o Júlio Lopes, se o Rogério Onofre, se o Pedro, o Manoel ou o João isso não cabe discutir e nem sei se vai acrescentar alguma coisa. Não cabe ao CREA opinar quem será o responsável, quem o governador vai colocar lá ou exonerar. Temos que saber onde serão os investimentos, de que maneira serão feitos e se estes investimentos possibilitarão a recuperação do sistema e segurança para a população. Pense que essa é a discussão e não podemos perder este foco. Não se pode botar a culpa em alguns funcionários que estão lá. Todos sabemos, que os funcionários que trabalham nos bondes, exercem suas funções dentro de um limite possível. Se fosse oferecido material e condições para que esses profissionais fizessem uma boa manutenção, não tenho dúvidas que eles fariam, pois são pessoas que amam o sistema de bonde e não trabalham apenas por obrigação.

Capital Cultural – Sobre a privatização, você acha necessária?
Cosenza – Vamos fazer uma reflexão sobre o sistema de privatização. Não podemos perder de vista que o único estado que privatizou o sistema rodoviário foi o Rio de Janeiro. Nenhum outro estado partiu para essa alternativa como solução. Se compararmos nossas duas maiores capitais que é São Paulo e o Rio de Janeiro, vamos perceber diferenças substanciais. No Rio, o sistema de transporte é privado e a sociedade vive se queixando e sempre temos problemas das mais diversas ordens. Em São Paulo, além de um ótimo serviço nos trens, o metro é uma referência de operação no mundo inteiro. Temos que considerar que o metrô em São Paulo transporta perto de 4 milhões de passageiros por mês. Temos que acabar com esse delírio de que a privatização é a melhor solução, que resolve todos os problemas. O privado não é melhor que o público. O que o Estado precisa é criar mecanismos para que uma empresa de sua propriedade tenha condições e possibilite condições para que seja realizado um bom trabalho. Esta é a questão. A privatização não soluciona nada. O governador tem que assumir a responsabilidade pelo bonde. E a Prefeitura deveria ter um maior controle sobre os ônibus.

Capital Cultural – A privatização dos transportes e outros serviços no Rio de Janeiro é meio perversa, pois as empresas que conseguiram estas concessões exploram o serviço, mas o povo continua pagando a conta.
Cosenza – É uma verdade. Você privatizou o sistema de trens do Rio de Janeiro, mas os investimentos continuam sendo realizados pelo Estado. A compra de trens quem paga é o Estado. Se você privatiza você entende que a responsabilidade pela administração e pelos custos é da empresa que ganhou a concessão e assumiu o serviço, mas não é assim que funciona. O estado continua pagando com dinheiro público os investimentos das empresas privadas. O povo acaba sendo o grande beneficiado com esse serviço, mas é ele quem esta pagando. Não critico a compra dos trens. Questiono o fato de o estado usar o dinheiro público para atender o interesse de empresas privadas. O serviço é público, mas a empresa é privada. Se você privatizar o bonde, ou o Estado vai subsidiar a passagem ou o povo não terá condições de pagar o preço desta passagem. Será que este bonde será só para turista.

Capital Cultural – O bonde tem uma característica curiosa, pois embora nossas autoridades partam do principio que o bonde é uma atração turística e para turistas, sua finalidade principal é atender os moradores.
Cosenza - Nunca podemos perder de vista que os bondinhos se transformaram em um dos principais símbolos da cidade e do país. O curioso é que, ao que parece muitas pessoas não sabem, que o bondinho de Santa Teresa é o único transporte de passageiro no Brasil com essa característica. Não existe outro, é único. Todos os outros são turísticos. O que a sociedade quer é um bonde que atenda a população. Percebo um grande equívoco quando se fala do bondinho de Santa Teresa, pois parece que atende somente aos turistas e à classe média do bairro. Isso não corresponde à verdade, pois nestes dias que o bonde esta parado, observei, muitas pessoas andando a pé, descendo as ladeiras para o trabalho a pé. Santa Teresa é um bairro de classe média, mas é composto também por muita gente pobre, por muitas comunidades, por pessoas que não podem pagar o preço da passagem do ônibus. Enquanto os bondes não estiverem circulando, o Governador do Estado deveria colocar o preço do ônibus pelo mesmo preço do bonde.

Qual sua opinião sobre a Municipalização?
Cosenza – Se a Municipalização acontecer para resolver os problemas com investimentos, uma melhora na estrutura e o povo puder continuar andando nos bondes, pode ser uma solução interessante. Não adianta o Município apenas assumir o bonde. Antes de assumir, tem que dizer o que vai fazer, como vai fazer e em que período de tempo vai fazer, qual será a tarifa cobrada. É preciso, por exemplo, olhar com carinho para os funcionários que dedicaram toda uma vida aos bondes. Esses funcionários sim, eles sabem cuidar dos bondes. Penso que a discussão se o bonde será ou não municipalizado é secundária. A questão é saber se as pessoas poderão voltar a andar nos bondes de forma segura sem medo. Se a Prefeitura vier para resolver, que venha. Acredito, entretanto que a pior solução é a privatização.

Capital Cultural – A recuperação dos bondes, que as autoridades chamam de VLT – Veículos Leves Sobre Trilhos – e a comunidade os denominou de Bonde Frankenstein, foi e continua sendo outro motivo de muita polêmica. A adaptação dos bondes é um problema ou uma solução?
Cozensa – Não sou contra a modernização desde que se mantenham as características dos bondes. Antes de disponibilizar, de colocar em circulação, é preciso que todos os testes sejam realizados e caso sejam detectados problemas é preciso que sejam consertados. O que tenho visto na imprensa, e essa é também uma critica recorrente dos moradores é que os bondes adaptados desde que foram colocados em circulação apresentam problemas, oferecem insegurança e medo. Deveríamos manter uma quantidade de bondes antigos que sempre operaram no bairro e gradativamente fazendo teste nos bondes adaptados antes de colocá-los em circulação. Observo, por exemplo, e não se leva muito isso em consideração, o fato de que a população de Santa Teresa cresceu muito e os bondes já não atendem essa demanda. Talvez por isso tenhamos superlotação. Vamos modernizar, mas colocar em operação só depois que for testada a eficiência e a certeza de que é um bonde extremamente seguro. Os funcionários reclamam, mas demonstram certo receio e muitos preferem se calar, mas segundo eles, estes bondes precisam ser testados dentro da realidade do bairro. Realizar testes em linha reta não resolve muita coisa e nem garante nada. É preciso se testar esses novos bondes nas ladeiras e nas condições adversas de Santa Teresa.

Capital Cultural – A cidade, o país e, principalmente nossos políticos começam a pensar e a respirar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Não causa certo temor ver uma das principais atrações turísticas da cidade nas condições que se encontram.
Cosenza – Se os bondinhos são tão necessários, se representam uma atração turística e um transporte para passageiros do bairro, temos que pensar esta questão de forma séria e buscarmos alternativas para o serviço. Se não temos mais bondes antigos, vamos fabricar novos bondes com as características dos bondes antigos. Isso é viável e possível. Nem sempre a modernidade é sinônimo de progresso. Estamos trabalhando contra o tempo, precisamos disso para ontem. Precisamos testar estes bondes, proporcionar segurança para os moradores e para os turistas.

Capital Cultural – Na condição de cidadão carioca, de uma pessoa que se preocupa com a cidade, quando você olha para a situação dos bondes, qual sua sensação?
Cosenza – No mais íntimo de mim sou tomado por um sentimento de tristeza e decepção.
O bonde é um símbolo cultural da cidade. Faz parte da história de nossa cidade. Com todo respeito que tenho pelo bonde do corcovado, mas não existe nada como o Bondinho de Santa Teresa. Quando você liga a televisão, todos os jornais têm como fundo uma imagem do bondinho. É um símbolo da cidade. A imprensa começa a divulgar a licitação para uma compra imensa de trens para a Super Via. Acho correto que se melhore o transporte sobre trilho no Rio de Janeiro, mas se você pega a metade do valor de apenas um trem, você recupera todo sistema de bondes. Lamento profundamente esta situação, pois a recuperação de todo sistema de bondes e, inclusive, o aumento do número de bondes, representa um montante muito pequeno para o Estado. Destruir o bonde é destruir parte da história do Rio de Janeiro. Não podemos ter uma tragédia com vítimas para então pensarmos em fazermos melhorias nos bondes e pensarmos em soluções para os bondes mesmo porque esta solução pode não ser a melhor.

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